A identidade visual da COP30, realizada no Brasil neste mês, em Belém (PA), é um dos elementos centrais para comunicar a importância dos aspectos culturais, ambientais e sociais da região amazônica que será sede da Conferência das Partes (COP), entre 10 e 21 de novembro.
Depois de ser o anfitrião da primeira edição, em 1992, no Rio de Janeiro (RJ), o Brasil volta a ser o anfitrião da mais importante conferência internacional do meio ambiente, que reúne em resposta ao aquecimento global e enfrentamento dos efeitos da crise climática.
Este artigo explora os bastidores do desenvolvimento da identidade visual da COP30, as transformações no nome oficial do evento – de COP Amazônia para COP30 Brasil Amazônia, a escolha do mascote e a importância da identidade visual alinhada ao propósito da conferência.
ONTEM E HOJE: AS IDENTIDADES VISUAIS DA RIO-92 E DA COP30 BRASIL AMAZÔNIA
As identidades visuais da Rio-92 e da COP30 Brasil Amazônia refletem contextos históricos, culturais e tecnológicos de suas respectivas épocas, ao mesmo tempo em que comunicam as mensagens ambientais globais de cada evento.
No caso da Rio-92 (também ficou conhecida como Eco-92), realizada em 1992 na capital fluminense, a conferência apresentou uma identidade visual que simbolizava a união mundial pela sustentabilidade e pela ecologia, termos ainda novos para um grande público. Para isso, utilizou imagens estilizadas de um globo em cores vibrantes para destacar a renovação e a vida. Também foi criada uma tipografia simples e acessível para diversos públicos. Seu design era marcado por elementos geométricos, refletindo a linguagem visual dos anos 1990.
Já a COP30, sediada em Belém (PA), adota uma identidade visual que integra cultura, história e inovação e numa conferência com muito mais repertório de informações, dados científicos e problemáticas. Mais uma vez, o Brasil volta ao centro das discussões globais sobre mudança do clima.
O uso do mascote Curupira – figura do folclore brasileiro protetor da floresta – reforça a conexão com a Amazônia. A paleta de cores e o design mais minimalista reflete uma maturidade com a preocupação ambiental atual e as tecnologias digitais.
CONTEXTO E DESAFIOS NA CRIAÇÃO DA IDENTIDADE VISUAL DA COP30
A construção da identidade visual da COP30 teve como objetivo traduzir visualmente o compromisso brasileiro com a preservação da Amazônia e a mobilização global para o combate às mudanças climáticas.
Um dos principais desafios foi equilibrar representações culturais da região com elementos universalmente reconhecidos para eventos internacionais, garantindo uma linguagem visual que dialogasse tanto com públicos locais quanto mundiais.
A estética da COP30 emprega tons de verde e terrosos, inspirados nas cores da floresta, rios e na biodiversidade amazônica, combinadas um lettering que evoca aos povos originários e a ilustrações de traços orgânicos para refletir as origens e esperança. A narrativa visual é construída para evocar tanto a conexão humana com a natureza quanto a urgência da ação climática. Essa identidade segue a tradição de conferências ambientais internacionais passadas, que usaram símbolos fortes, cores e tipografia para reforçar seus valores e objetivos.
Mudança do nome: COP30 Amazônia para COP30 Brasil Amazônia
A alteração do nome oficial para COP30 Brasil Amazônia, anunciada pela organização do evento no começo de 2025, tinha por objetivo reforçar o papel do Brasil como anfitrião, bem como a conexão direta da conferência com o país e a floresta amazônica, que também abrange territórios da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
O Brasil é o país com a maior parte da floresta, seguida por Peru e Colômbia. Essa decisão teve impacto direto no desenvolvimento da comunicação visual, incorporando elementos que enfatizam a cultura nacional.
CURUPIRA: O MASCOTE QUE SINTETIZA A IDENTIDADE BRASILEIRA NA COP30
O mascote escolhido para a COP30 foi o Curupira, personagem do folclore brasileiro com cabelo de fogo, pés virados para trás e corpo de menino, considerado o guardião das florestas e dos animais, que faz parte da identidade visual da conferência sob presidência brasileira. O nome do personagem vem da língua indígena tupi-guarani, em que “curumim” significa menino e “pira” corpo.
Em carta à comunidade internacional, o embaixador e presidente da COP30, André Corrêa do Lago disse, em texto publicado na página oficial da COP30, que a escolha se deve porque o tema das florestas é um “tópico central” do debate sobre mudança do clima.
A identificação com essa figura cultural fortalece o storytelling da conferência, criando uma relação emocional entre o evento e a narrativa da conservação ambiental.
IDENTIDADE POR TODA PARTE
A identidade visual da COP30 será amplamente aplicada nas mais diversas áreas da cidade de Belém (PA), palco da conferência climática internacional neste mês. Elementos da marca, como o mascote Curupira, estarão presentes em letreiros urbanos, painéis informativos e na comunicação visual oficial do evento, criando uma ambientação que integre a cidade à narrativa da conferência. O mascote também tem uma versão “viva”, como um boneco, que transitará pelos espaços públicos da conferência.
Além disso, essa identidade será utilizada em materiais oficiais, como documentos, banners, carimbos especiais em passaportes, uniformes, brindes e facilidades turísticas, reforçando a projeção internacional e o turismo sustentável da região.
Essa aplicação multissetorial busca engajar participantes e moradores em uma experiência visual única, educativa e simbólica, que comunique a urgência da preservação ambiental e o papel do Brasil na liderança da luta contra as mudanças climáticas.