Neste ano, a pesquisa Consumer Pulse, divulgada pelos principais veículos de comunicação do país, revelou que os brasileiros passam cerca de 9 horas por dia navegando na internet – 3 horas a mais que a média global. Diz ainda que estamos passando mais tempo em frente à tela que nos braços de Morfeu. Imersos em imagens e vídeos, em sua maioria de gatos, cachorros, desastres, guerras, fake news e dancinhas, quase não sobra espaço para pensar, sentir e criar conexões verdadeiras. Ou seja, não sobra muito espaço para vivências fora das telas. 

Pensando nessa condição criada pelo mundo hiperconectado, empresas estão adotando o conceito de branding da vida real. Produtos e experiências que valorizam a formação de vínculos genuínos que vão além das redes sociais e das novas tecnologias. A ideia é focar em presença, natureza, autenticidade e momentos de desconexão. Tudo para estimular a criatividade, a socialização e o relaxamento 😎🍹 .

O QUE É BRANDING DA VIDA REAL E POR QUE ELE IMPORTA

O branding da vida real propõe uma reconexão com o que realmente importa: presença física, relações humanas reais e contato com a natureza. O conceito responde à inúmeras pesquisas e publicações em diferentes áreas como saúde, filosofia e design, que já pescaram essa necessidade do público a ser atendida pelo mercado. 

Como o recém-lançado “A alegria em ficar de fora: Como se desconectar do mundo digital e se reconectar com você, as pessoas e a natureza” (Editora Agir, 2025), do consultor e especialista em design sustentável André Carvalhal. No livro, o autor propõe outras experiências fora das telas para criar momentos de desconexão digital e reconexão pessoal. 

Sob essa perspectiva, em vez de focar apenas em campanhas digitais, marcas devem criar experiências físicas e sociais, reforçando sua essência e seus valores num ambiente tangível, que os consumidores podem vivenciar.

EXEMPLO PRÁTICO: A POP-UP STORE DA ANTHROPIC EM NOVA YORK

branding vida real claudeai

A inovadora ação de branding da vida real da Anthropic, criadora da IA Claude, exemplifica bem essa tendência. Em sua pop-up store em Nova York (EUA), aberta até outubro deste ano, a empresa não vendeu produtos, mas ofereceu café e um boné com a palavra thinking (pensando). 

Essa ação, intitulada “Fila para Pensar”, agregou um público que conhece essa  plataforma de inteligência artificial generativa, além de novos usuários. Todos em um mesmo espaço que proporcionou trocas e conversas estimuladas pela curiosidade gerada pela iniciativa. O resultado? A IA Claude se posiciona não como uma substituta do pensamento humano, mas como uma ferramenta para apoiar o pensamento crítico dentro e fora da plataforma, claro.

Estratégia e impacto

O lançamento dessa pop-up store foi realizado num evento que reuniu 36 criadores de conteúdo, que ajudaram a viralizar a ação nas redes sociais. Mas o engajamento digital foi mais uma consequência do engajamento presencial na ação da Anthropic em Nova York. 

A campanha valorizou a experiência física, a reflexão e o senso de comunidade, mostrando que, talvez, a melhor forma de vender tecnologia seja focando na humanidade por trás dela. 

Fica no entanto a reflexão: o desfrute da experiência física é real ou dura apenas o suficiente para aquele conteúdo ter mais visualizações nas redes?

COMO O BRANDING DA VIDA REAL PODE REVOLUCIONAR O MERCADO

  • Criação de experiências personalizadas: Marcas podem desenvolver ações e produtos pensados para momentos ao ar livre e para a convivência social, fugindo do excesso de estímulos digitais.
  • Comunicação autêntica: Estimular narrativas baseadas em valores reais e no sentimento de pertencimento.
  • Engajamento profundo: Construir comunidades reais, fortalecendo o vínculo emocional e a confiança dos consumidores.
  • Inovação humanizada: Alinhar tecnologia e inovação com a valorização do lado humano, promovendo equilíbrio e bem-estar.

Adotar o branding da vida real é uma oportunidade para marcas se diferenciarem num mercado saturado de estímulos digitais, criando conexões profundas e duradouras que geram outros valores e criam vínculos. Assim, se este é realmente um valor para a sua marca, não basta apenas uma ação pontual. É necessário cultivar e manter viva essa ideia ao longo da comunicação, como um estilo de vida e comportamento verdadeiro da sua marca para os seus consumidores.