A carreira de designer está passando por uma revolução com o avanço da inteligência artificial. Se você é designer, gerente de marketing ou empreendedor querendo entender esse cenário, este texto é para você. Vamos bater um papo sobre como se reinventar, aproveitar as ferramentas de IA para turbinar sua criatividade e produtividade, além de desmistificar o tal “fim da profissão” que muita gente fala por aí.

 

O QUE A IA REALMENTE MUDA NA CARREIRA DE DESIGNER?

A inteligência artificial generativa tem causado um certo medo no mercado, com gente achando que máquinas vão acabar com o trabalho humano. Mas a verdade é que a IA veio como uma ajudante – uma ferramenta que automatiza tarefas repetitivas, permitindo que o designer foque no que realmente importa: na elaboração criativa de conceitos e no posicionamento da marca. Ou seja, em vez de substituir a inteligência humana, a inteligência artificial cria espaço para você trabalhar melhor, mais rápido e com mais liberdade. Só não inventaram (ainda) uma IA que lave a louça, né?

 

COMO USAR A IA PARA SER MAIS CRIATIVO E PRODUTIVO NO DESIGN

1. Ideias na velocidade da luz

Quer dados que gerem novas ideias de maneira rápida? Plataformas como Perplexity, ChatGPT, Claude, Gemini e Midjourney ajudam a gerar referências, brainstorms e até primeiras versões de trabalhos. Assim, você pode usar esse ponto de partida para criar algo único.

2. Esqueça o trabalho chato

Ajustes de formato, criação de variações ou pequenas edições podem ser feitas pela IA, poupando seu tempo para algo que a máquina não faz: enxergar o todo e criar uma identidade.

3. A inteligência humana é insubstituível

Nada substitui o seu olhar para temas culturais, valores do cliente, ética e seu repertório de conhecimento pessoal. A IA é só uma ferramenta que potencializa o seu trabalho, mas o comando está nas suas mãos.

4. Estude sempre

Manter-se atualizado para usar IA do jeito mais proveitoso e, principalmente, ético, vai ser (cada vez mais!) um diferencial. Aprender sobre as ferramentas, seus limites, regulamentações e possibilidades te coloca à frente no mercado.

AS MAIORES MENTIRAS SOBRE IA E A PROFISSÃO DE DESIGNER

  • “A IA vai acabar com a carreira de designer”: Mentira! Designers que sabem usar a IA são valorizados, enquanto aqueles que ainda não experimentaram a ferramenta tendem a ficar para trás. Aqui na Nortearia, estudar as tendências e novas ferramentas nos move diariamente. 
  • “Não preciso saber de tecnologia”: Jura? A tecnologia está em todos os lados e é, mais do que nunca, integrante essencial no trabalho hoje. Ignorar é perder espaço.
  • “A IA faz o design final sozinha”: Ah, vá! A IA cria bases, mas o acabamento, o conceito e a estratégia são tarefas humanas.

Quem já está tirando onda com IA no design? Exemplos reais

    • Coca-Cola: “Para treinar a IA, não bastava fornecer guidelines em PDF. Decidimos ir além: treinamos o Fizzion em decisões de design em tempo real – layouts, escolhas de tipografia, proporções, composições e hierarquia de elementos feitas por nossos próprios designers. Esse é o grande diferencial do Fizzion. Criamos os chamados StyleIDs, que codificam a lógica visual de uma campanha – um DNA visual que a IA pode replicar com fidelidade e adaptabilidade. Em vez de ensinar ‘regras’ frias, ensinamos intenção criativa. E isso só foi possível porque desenvolvemos o projeto lado a lado com a Adobe, de forma profunda e colaborativa”, explica Rapha Abreu, VP de design da Coca-Cola, destacando que o Fizzion não foi criado para substituir o designer, mas para amplificá-lo.
    • Shopify: “Usei o ChatGPT para redigir textos placeholder, criar conceitos para slogans criativos e até mesmo criar prompts para passar para o próprio Midjourney. Tenho usado o Midjourney para experimentar o nível de detalhe que ele pode produzir para criar imagens específicas para projetos. Eu até brinquei com o novo Photoshop Beta que possui a funcionalidade Generative Fill integrada. Você pode usá-lo para expandir imagens que precisam ser redimensionadas, remover itens de fotografias e até gerar algo do zero. (…) Atualmente funciona muito bem na fase de conceituação, produzindo imagens específicas para moodboards, rascunhos e até pequenas fotografias para usar em designs reais”, compartilha Connell McCarthy, staff designer.
    • LIFT Agency: “A indústria do marketing de desempenho viu a adição de muitas ferramentas notáveis que podem beneficiar uma equipe criativa. A IA é muito poderosa na segmentação e aquisição de novos clientes e deve ser vista como mais uma ferramenta em nossa caixa de opções. Para um criativo medido por aquisições, estes novos programas podem e serão extremamente benéficos se os dados fornecidos forem utilizados de forma inteligente pelos administradores da marca. Só consigo ver pontos positivos se usado corretamente. Além disso, a IA pode se concentrar nas partes mundanas, permitindo que a equipe se concentre nas partes difíceis”, acredita Monica Thomas, diretora criativa.

Por que seguir na carreira de designer mesmo com a IA?

Porque a criatividade, a ética e o olhar estratégico são habilidades humanas que nenhuma IA domina plenamente. Saber usar a IA é como ter uma aliada poderosa que te deixa mais livre para criar, propor e pensar fora da caixa. A equipe da Nike, por exemplo, usa design generativo com IA para personalizar a identidade visual de coleções de tênis e criar campanhas criativas.
Ou seja, mais do que nunca é preciso se reinventar. E isso não quer dizer apenas dominar o uso da IA e de outras ferramentas digitais. É preciso, PRINCIPALMENTE, mudar o modo de pensar para o novo (e veloz) cenário que se apresenta.