As palavras “IA” e “design” sintetizam o debate mais quente no universo da criação visual atualmente. Enquanto a inteligência artificial está revolucionando processos criativos e abrindo novas possibilidades no mercado, algumas marcas optam por questionar sua sobrevalorizada utilização em vez de investir no processo criativo humano, que fomenta o movimento conhecido lá nos EUA como keep it real.
O MOVIMENTO “KEEP IT REAL” E AS GRANDES MARCAS
Em uma reviravolta digna de final de novela das oito, nomes como Heineken e Polaroid têm deixado de lado a IA generativa para apostar em um marketing que valoriza a criatividade humana. Campanhas com alfinetadas às big techs começam a dar às caras. Como as outdoors da Polaroid, em Nova York, que relembram ao público aquilo que a inteligência artificial não entrega: AI can’t generate sand between your toes (IA não consegue gerar areia entre seus dedos).
PSICOLOGIA DO CONSUMIDOR E AUTENTICIDADE
Segundo pesquisa do Pew, metade dos americanos está mais preocupada do que animada com o crescimento da IA em suas vidas diárias. Isso se reflete no consumo: anúncios produzidos por IA, por mais sofisticados que sejam, falham em transmitir uma qualidade real, algo que só os humanos conseguem entregar. Ou seja, a estética analógica, com suas imperfeições, ainda conquista um público expressivo.
A campanha Polaroid Flip: Celebrando a fotografia como presença real
A Polaroid lançou a câmera Polaroid Flip com uma campanha que reforça a presença física e emocional da fotografia, desafiando a era das telas e a predominância da IA.
A ação narrativa valoriza a imperfeição humana, a espontaneidade e a conexão direta, conceitos ausentes nos processos automatizados ou incorporados artificialmente por imagens de pessoas geradas por inteligência artificial.
Essa campanha ainda reverberou no mercado por apresentar um manifesto: “Há sempre algo em nossa natureza… aquela camada de imperfeição que nos torna humanos e maravilhosamente imperfeitos”.
Apelo ao humor: Campanha da IcelandAir brinca com a ideia de fake ou real
Será que os vulcões, as geleiras, cachoeiras, fontes termais e a aurora boreal da Islândia existem mesmo? Ou é tudo imagem gerada por inteligência artificial para convencer turista? Ao apostar nesse jogo entre “fake” ou “real”, a companhia área Icelandair lançou na segunda semana de novembro um Reels hilário com três atores: o protagonista a la Jack Black não acredita que o país seja mesmo de verdade, enquanto sua amiga vai provar que sim.
“We know Iceland seems unreal, but some folks are taking it a bit too far. Is Iceland real, or just the world’s prettiest conspiracy? 🕵️ Come and see for yourself”, era a legenda da campanha. Em tradução livre, algo como: “Sabemos que a Islândia parece surreal, mas algumas pessoas estão exagerando um pouco. A Islândia é real ou apenas a conspiração mais bonita do mundo? 🕵️ Venha conferir você mesmo”.
O resultado? A maior parte dos comentários confirmava que: bom humor + atores reais + criatividade, provocaram a curiosidade para conhecer a Islândia. Um dos seguidores da Icelandair, a brasileira Luiza Prado Leite escreveu: é tudo 100% real e eu 100% quero voltar”.
PRÓXIMO PASSO: UM ENCONTRO NO MEIO DO CAMINHO
O futuro da criação visual em 2026 está em um ponto de inflexão entre os usos e substituições oriundos do avanço tecnológico e uma desvalorização do repertório, da experiência e da criatividade humana.
Enquanto a inteligência artificial oferece ferramentas poderosas para inovação e agilidade, daqui para frente o desafio será conciliar essas tecnologias para preservação da sensibilidade humana, da diversidade e da conexão real com o público.
Marcas e profissionais que desejam navegar nesse novo cenário, a Nortearia oferece expertise em design estratégico, unindo inovação tecnológica com a valorização da criatividade humana e a construção de marcas singulares.